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A história do skate no Brasil

Descubra como o carrinho chegou no país enfrentou proibições e preconceitos e como a cena evoluiu até o Brasil virar a maior potência mundial do esporte.

#História#Brasil#Cultura

Os primeiros rolês no asfalto brasileiro e o improviso

Se você acha que o skate sempre foi essa febre absurda que é hoje com pista em toda esquina e transmissão ao vivo na televisão imagina como era a cena antigamente. A história do skate no Brasil é marcada por muita luta improviso e uma paixão sem tamanho. O carrinho chegou por aqui lá pelo meio dos anos 60. Tudo começou no Rio de Janeiro graças à galera do surfe. Quando o mar tava flat e não tinha onda a rapaziada ficava subindo pelas paredes querendo algo pra fazer. Foi aí que surgiu a ideia de simular os movimentos do surfe no asfalto.

Naquela época não existia skate shop. Não dava pra entrar na internet e comprar um shape importado. Eles mesmos construíam os carrinhos. A galera pegava eixos de patins de ferro desmontava e colava em uns pedaços de madeira retos pesados e duros. Eles chamavam a invenção de surfinho. Era tudo feito na raça total. Andar naquilo era um teste de sobrevivência porque as rodinhas eram de argila ou metal e qualquer pedrinha no chão já era motivo pra voar longe e ralar o couro no asfalto quente. Mas a semente já tava plantada e o estilo de vida começava a tomar forma.

A evolução dos anos 70 o início das pistas e dos campeonatos

A coisa começou a ficar um pouco mais séria na década de 70. Foi quando as rodinhas de poliuretano foram inventadas lá fora mudando completamente a aderência e a velocidade do skate. Aos poucos essa tecnologia chegou no Brasil e permitiu que a galera andasse mais rápido e tentasse manobras novas sem o medo constante de escorregar no seco.

Foi nessa década que surgiram as primeiras pistas de concreto no país. A primeira delas foi construída em Nova Iguaçu no Rio de Janeiro. Imagina a loucura que era ter um pico exclusivo pra descer umas paredes e mandar as primeiras manobras de transição. Ao mesmo tempo o mercado nacional começou a engatinhar. Surgiram as primeiras marcas brasileiras fabricando shapes prensados e rodinhas de melhor qualidade porque importar material dos Estados Unidos era quase impossível e caríssimo.

O primeiro grande campeonato brasileiro de skate também rolou no Rio abrindo as portas pra muita gente. A cena começou a se organizar os skatistas começaram a se conhecer trocar referências e criar uma cultura própria e forte. O skate deixava de ser apenas uma brincadeira de fim de semana pra virar um estilo de vida que arrebatava cada vez mais jovens pelo país afora.

A febre dos anos 80 e a famosa proibição em São Paulo

Quando chegamos nos anos 80 o skate já tinha virado uma verdadeira febre no Brasil inteiro. O freestyle e o vertical começaram a ganhar muita força. As revistas especializadas começaram a circular mostrando manobras equipamentos e divulgando o estilo de vida. A molecada respirava skate e as ruas estavam lotadas de carrinhos.

Mas nem tudo foi um mar de rosas. O crescimento absurdo do skate assustou algumas autoridades. Em 1988 rolou uma fase extremamente tensa. O prefeito de São Paulo na época Jânio Quadros simplesmente proibiu a prática do skate nas ruas da cidade. Você não leu errado andar de skate virou um ato ilegal. Se a polícia te pegasse andando no Ibirapuera ou na rua o seu skate era apreendido e você levava uma dura.

Só que a galera do skate tem a resiliência correndo nas veias. Eles não abaixaram a cabeça de jeito nenhum. A comunidade se uniu organizou protestos pacíficos e continuou andando de forma clandestina. A proibição acabou gerando o efeito contrário fortaleceu ainda mais a união da cena e mostrou que o skate não era uma moda passageira mas sim um movimento cultural gigante. Eventualmente a proibição caiu na gestão seguinte graças à pressão popular e ao apoio de pessoas influentes na sociedade. Foi um momento chave que mostrou a força da união dos skatistas e moldou o espírito rebelde e guerreiro da cena nacional.

A explosão do street nos anos 90 e a dominação mundial

Nos anos 90 o cenário mudou de novo. O street skate tomou conta das ruas e virou a modalidade mais praticada de longe. A galera percebeu que não precisava de uma pista gigante de concreto pra andar. Bastava uma calçada lisa um corrimão enferrujado ou um caixote de praça pra fazer a mágica acontecer. A cidade se tornou o grande playground.

E foi nessa época que o Brasil começou a mostrar suas garras pro resto do mundo. Os nossos skatistas começaram a viajar pra fora a competir nos campeonatos gringos e a gravar partes em vídeos internacionais. O estilo brasileiro de andar chamou a atenção de todo mundo. Era uma mistura de técnica absurda com muito pop onde a galera chutava alto e executava manobras difíceis com uma facilidade que parecia brincadeira. Nomes como Bob Burnquist Digo Menezes e Lincoln Ueda mostravam pro planeta que o Brasil não tava de brincadeira.

A criatividade e a garra do skatista brasileiro moldado por calçadas esburacadas e picos difíceis faziam a diferença lá fora onde as pistas eram perfeitas. Eles andavam com uma vontade que impressionava qualquer um. Essa década foi o grande trampolim pra consolidar o nosso país como um verdadeiro celeiro de talentos inesgotáveis.

A era moderna e o caminho até o topo do pódio

Entrando nos anos 2000 o Brasil já era uma potência inquestionável. Os X-Games o Street League e a Mega Rampa foram totalmente dominados por brasileiros. A galera passou a ver skatistas do nosso país levantando troféus o tempo todo batendo recordes e inventando manobras que ninguém nunca tinha pensado que seriam possíveis.

Mas a grande virada de chave para a aceitação definitiva do esporte pela grande massa veio com as Olimpíadas. Quando o skate foi incluído nos jogos e as meninas brasileiras como a Rayssa Leal trouxeram medalhas pra casa com um sorriso no rosto e uma leveza absurda o Brasil inteiro parou pra assistir. Aquele antigo preconceito de que skatista era vagabundo finalmente caiu por terra na mente da grande população. As avós as tias e as crianças estavam todas na frente da TV torcendo e vibrando com as tricks da fadinha e companhia.

Hoje o Brasil é sem dúvida a maior potência do esporte no mundo. Tem pista pipocando em todo canto e projetos sociais incríveis que usam o skate como ferramenta de inclusão nas periferias. Uma galera nova já nasce quebrando tudo e elevando o nível cada vez mais alto misturando o skate com música arte e moda de um jeito único.

Olhar pra trás e ver tudo que a velha guarda passou pra deixar a cena onde ela tá hoje é motivo de muito orgulho. Se hoje a gente pode pegar o skate e ir tranquilo pra uma pista de alto nível é porque muita gente suou protestou e construiu os próprios obstáculos na raça no passado. Só bora continuar esse legado incrível respeitar as raízes e manter o carrinho no pé pra sempre. O skate nacional é gigante e a história ainda tá longe de acabar!

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