[Cultura]
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A influência do Punk e do Hip-Hop na cultura do skate

Como a atitude do punk rock e as batidas do rap moldaram o estilo de vida as roupas e os vídeos de skate ao longo das décadas.

#Cultura#Musica#Estilo

Uma união forjada na rua e na rebeldia

Não dá pra falar de skate sem falar de música. A conexão entre as quatro rodinhas de poliuretano e os alto-falantes é tão forte que a gente não sabe onde um termina e o outro começa. Diferente de esportes tradicionais que tocam hinos ou músicas genéricas na arena o skate é embalado por trilhas sonoras que ditam atitude comportamento e moda.

Essa simbiose perfeita não aconteceu por acaso. O skate sempre foi um movimento de contracultura. Quem andava de skate antigamente era visto como vagabundo arruaceiro e marginal. A sociedade empurrava a galera pros cantos escuros das ruas pros fundos de quintais secos e pras praças abandonadas. E adivinha quem mais estava na margem da sociedade gritando contra o sistema? As bandas de punk rock nos anos oitenta e os MCs do rap nos anos noventa. Essa panela de pressão cultural era o caldeirão perfeito pra misturar skate e música pra sempre.

Os anos 80 e a explosão do Punk Rock nas piscinas vazias

Volta fita lá pra década de 1980. O skate vivia a febre do vertical e das piscinas vazias na Califórnia. A galera invadia quintais de casas abandonadas pra dropar e esculpir as paredes redondas de concreto. Era uma cena crua rápida perigosa e extremamente agressiva. A trilha sonora não podia ser diferente. O punk rock dominou absoluto.

Bandas como Black Flag Minor Threat Misfits e Dead Kennedys entregavam o ritmo frenético que os skatistas precisavam. A música era rápida as letras eram cheias de revolta contra a polícia o governo e o padrão conservador americano. O skatista que tomava enquadro da polícia por andar na rua se identificava instantaneamente com o cara de moicano no palco gritando no microfone.

Essa influência bateu direto na moda e na estética do skate. A galera começou a adotar a mentalidade do faça você mesmo. Calças rasgadas jaquetas de couro cheias de remendos tênis destruídos amarrados com fita adesiva e muito crânio e sangue desenhados nos shapes. As artes dos shapes começaram a ficar incrivelmente agressivas e icônicas cortesia de lendas do design que respiravam punk. A atitude era eu caio eu sangro eu levanto e eu não tô nem aí pro que você acha de mim.

A revolução dos vídeos de skate

Foi também nessa época que os vídeos de skate começaram a se popularizar. Produtoras começaram a juntar manobras da equipe e jogar uma trilha sonora por cima. O impacto disso foi brutal. Antes da internet o vídeo em fita VHS era o WhatsApp e o Instagram da molecada. A fita passava de mão em mão. Se um profissional de skate gringo andava ao som de uma música de punk obscura milhares de moleques ao redor do mundo saíam caçando a fita cassete dessa banda no dia seguinte.

O skate virou uma das maiores plataformas de descoberta musical do planeta. A atitude do vídeo a edição cortada rápida e no ritmo das guitarras distorcidas criavam uma atmosfera hipnotizante que moldou o gosto de uma geração inteira de skatistas.

Os anos 90 e a ascensão esmagadora do Rap e Hip-Hop

Quando o calendário virou pra década de 90 o skate passou por uma revolução silenciosa mas brutal. O vertical entrou em declínio e a rua tomou conta de vez. O street skate virou o dono do pedaço. Em vez de voar alto em rampas de madeira os skatistas começaram a flipar escadas dar grinds em corrimões de escola e pular bancos de praça no meio do centro das grandes metrópoles.

O cenário era de asfalto concreto liso centros urbanos sujos e arquitetura urbana hostil. E a trilha sonora das ruas nessa época nos Estados Unidos não era mais o punk acelerado mas sim as batidas pesadas do Hip-Hop da costa leste. O ritmo mais lento balançado e cheio de suingue combinava perfeitamente com a nova fase do skate muito mais focada em técnica precisão equilíbrio e estilo do que em velocidade pura.

O bumbo e a caixa do Boom Bap casavam perfeitamente com o som do impacto da roda no chão. Era a chamada era de ouro do rap. Grupos como Wu-Tang Clan Nas A Tribe Called Quest e Mobb Deep se tornaram a voz do skate de rua. Se o punk trouxe agressividade o rap trouxe ritmo técnica e postura.

Calças largas tênis bolha e estilo de sobra

O impacto do rap no visual do skatista dos anos 90 foi gigantesco. Saem de cena as roupas rasgadas e ajustadas do punk e entram as calças jeans absurdamente largas que arrastavam no chão as camisetas giga grandes os bonés de aba reta e as correntes. O conforto e o balanço solto das roupas da cultura Hip-Hop caíram como uma luva pra quem precisava flexionar o joelho sem a calça travar o movimento.

Até o design dos tênis de skate mudou radicalmente. Eles deixaram de ser finos e começaram a virar verdadeiros tanques de guerra super acolchoados com línguas enormes protetores de cadarço e sistemas de amortecimento copiados dos tênis de basquete. A estética do gueto da cultura de rua e do grafite se misturou com a cena do carrinho de um jeito que nunca mais se separou. Vídeos lendários dessa década mostraram skatistas com um flow impecável andando pela cidade de madrugada com raps pesados de fundo ditando moda pro mundo todo.

A mistura perfeita dos dias atuais

Hoje em dia a panela misturou de vez. Você vai numa pista de skate e vê a molecada de fone de ouvido ouvindo trap moderno outro grupo escutando um rock clássico um cara tocando um reggae e alguém com o celular soltando um funk bolado. Não existe mais uma regra absoluta mas o esqueleto dessa atitude foi montado em cima dos pilares do punk e do hip-hop.

Esses dois estilos musicais ensinaram pro skate o que significa ser autêntico. Ensinaram que a rua tem suas próprias regras que a arte pode nascer do caos urbano e que você não precisa da aprovação do grande público pra fazer o que gosta. A música ditou o ritmo do skate e o skate espalhou a música pelo mundo. Uma simbiose perfeita entre som e movimento que a gente espera que nunca morra na cultura do carrinho.

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