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Shapes com fibra de vidro valem mesmo o investimento financeiro alto

Entenda como funciona a tecnologia de Fiberglass nos shapes de skate os prós os contras e se a durabilidade realmente compensa o preço salgado.

#Peças#Shapes#Dicas

A busca eterna pelo shape indestrutível

Qualquer skatista de rua sabe que o shape é a peça que tem a vida útil mais curta do carrinho. Não importa a marca não importa se é de marfim nacional ou do maple canadense mais puro do mundo se você anda com vontade manda flip em buraco e marreta escadaria uma hora a madeira vai ceder. O tail gasta perde o pop ou na pior das hipóteses o skate quebra no meio num pouso errado trincando a madeira e esvaziando a sua carteira na mesma hora.

Foi tentando resolver esse problema crônico de quebra e perda de pop que as fábricas começaram a enfiar a cara no laboratório de tecnologia. Foi assim que surgiram os shapes com inserção de materiais compostos sendo a fibra de vidro ou Fiberglass a inovação mais famosa e discutida de todas. Mas como tudo que tem tecnologia envolvida o preço dessas peças é bem mais salgado do que um shape tradicional todo de madeira. A grande pergunta que não quer calar na cabeça de quem tá juntando dinheiro pra montar um skate novo é será que vale a pena pagar o dobro ou até o triplo por essa tecnologia?

Pra responder isso a gente vai abrir o capô dessa tecnologia entender como ela age dentro do sanduíche de madeira e ponderar se o seu tipo de rolê exige esse nível de equipamento.

O que raios é um shape de Fiberglass

Um shape tradicional de altíssima qualidade é feito de sete finíssimas lâminas de madeira coladas sob altíssima pressão. A força e a flexibilidade vêm da direção cruzada das fibras da madeira e da resina que mantém tudo unido. O problema da madeira natural é que ela fatiga. Com o tempo e as pancadas a cola micro trinca a madeira amolece chupa umidade do ar e o famoso pop estalo da batida do tail no chão vai embora. O skate vira uma esponja sem vida.

O shape de fiberglass pega essa base de sete lâminas ou às vezes reduz para seis e adiciona uma ou mais camadas finas de fibra de vidro tecida na estrutura ou até mesmo fibra de carbono dependendo da marca. Geralmente essa camada sintética vai em cima na parte da lixa protegendo o topo ou na parte de baixo pra segurar o impacto da tensão.

A fibra de vidro é um material absurdamente resistente à tração. Ela não rasga não cansa fácil e não absorve água. Quando a fábrica cola essa manta sintética no meio da madeira o shape ganha uma rigidez estrutural absurda.

Os superpoderes da fibra de vidro

O primeiro grande benefício que quem compra um shape desses percebe é o tal do pop eterno. Sabe aquela batida seca no chão da primeira semana de uso do skate novo que faz a manobra subir lá no peito? Um shape tradicional perde isso aos poucos. O shape de fibra de vidro mantém esse estalo alto e seco por meses a fio. A camada sintética tem uma memória elástica brutal ou seja ela flexiona quando você bate e volta pra posição original com uma violência enorme empurrando o skate pra cima com mais facilidade.

O segundo benefício óbvio é a resistência a quebra no meio. Quebrar um shape de fibra num ollie mal aterrissado não é impossível mas é muito mas muito mais difícil. Você pode cair com os pés bem no meio do skate que a camada superior de fibra vai segurar a tensão e impedir que a madeira debaixo abra o bico e trinque. Pra quem pesa mais de oitenta quilos ou costuma quebrar shape toda semana pulando gap essa resistência extra parece mágica caindo do céu.

Os pontos fracos porque nada é perfeito

Apesar de parecer o shape mágico dos deuses a fibra de vidro tem seus defeitos e eles incomodam bastante os skatistas mais puristas.

A primeira reclamação é o peso. Embora as fábricas briguem pra afinar as lâminas de madeira pra compensar o peso da manta de fibra na maioria das vezes o shape composto fica um pouquinho mais pesado do que um shape de maple pelado. Pode parecer frescura mas quem é acostumado com um carrinho levíssimo pra girar manobras hiper técnicas de flip acaba sentindo o peso extra na hora de chutar.

O segundo ponto é a rigidez extrema. Um skate bom precisa ter uma certa flexibilidade pra amortecer o impacto. Quando o shape é duro demais igual uma porta de ferro toda a vibração do chão áspero sobe pelo truck passa pela madeira dura de fibra e vai direto pro seu joelho e pro seu calcanhar. Cair num primo ou dar um tranco num shape desses machuca muito mais. Tem gente que não se adapta a essa dureza toda e prefere a flexibilidade orgânica e macia do shape normal.

Outra questão é a lâmina da base. A fibra de vidro segura o shape de quebrar no meio mas o tail continua sendo de madeira na ponta pra poder bater no chão e deslizar nas bordas. Se você gasta muito o tail raspando ele no asfalto a fibra não vai impedir o desgaste da madeira no bico e na cauda. E se as lâminas lascarem na quina a água ainda pode entrar e detonar o resto. A fibra protege de partir mas não evita que o contorno do shape se acabe com a lixa do asfalto.

O veredito do bolso vale a pena

Aqui entra a conta que você tem que fazer em casa. Um shape com fibra custa consideravelmente mais caro. Se você é aquele skatista de pista lisa que anda mais de boa foca em manobras técnicas e o seu shape normal já costuma durar quatro ou cinco meses sem quebrar a conta não fecha. Gastar o dobro do dinheiro pra ter um shape mais duro e pesado não vai te ajudar em absolutamente nada e você pode sentir falta da leveza antiga.

Agora se você é o maluco que se joga de escada tenta flipão em buraco quebra um shape de madeira normal a cada três semanas e sofre com o pop morrendo rápido aí a história muda de figura. Nesse caso o investimento inicial mais alto se paga muito rápido porque um shape de fibra vai aguentar no seu pé o que três shapes normais não aguentariam. Você vai ter pop pro ano inteiro e a segurança de que não vai voltar pra casa com metade do skate na mão no primeiro tombo ruim.

Coloque na balança o seu estilo de andar o peso do seu corpo e onde você mais anda. A tecnologia resolve muita coisa mas o conforto da madeira clássica e tradicional dificilmente vai ser tirado do trono por completo no coração dos skatistas de rua.

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